Sabemos que em $\R$ e em $\C$ qualquer elemento não nulo elevado a zero tem como resultado a unidade.
Pois se $a$ for elemento de um daqueles corpos
\[a^0=a^{1-1}=\frac{a^1}{a^1}=\frac{a}{a}=1\]
Mas, e zero?
Utilizando um raciocínio semelhante ao anterior percebemos que $0^0$ se existisse deveria ser igual a $\frc{0}{0}$, que tem o conveniente inconveniente de não estar definido.
Vamos lá pensar então, com limites.
\[\lim_{x \to 0^{+} } 0^{x}=0\] \[\lim_{x \to 0^{+} } x^{0}=1\]
Bem, isto só prova que a função $f(x,y)=x^y$ não tem limite logo não consegue ser contínua em $(0,0)$.
E portanto, atribuir satisfatoriamente um valor a $0^0$ não é possível.
Aliás, $0^0$ é uma conhecida indeterminação no cálculo de limites!
Por exemplo
$$\lim_{x \to 0^+} x^{\frc{\ln(2026)}{\ln(x)}}$$ é um $0^0$ cujo resultado é $2026$
[ Pode confirmar... ]
No blog "Raciocínios quase exactos e meio aleatórios" no post de ontem "O binómio de Newton, a partir da derivada da potência", escrevi explicitamente
Se convencionarmos que nesta fórmula $0^0=1$ então
\[(a+b)^n=\sum\limits_{k=0}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{n-k}b^k}\]
Estou a dizer que para simplificar a escrita, naquela fórmula, vamos interpretar $0^0$ como sendo $1$.
| $$e^x = \sum_{n=0}^{+\infty} \frac{x^n}{n!} $$ | ou | $$\cos x = \sum_{n=0}^{+\infty} \frac{(-1)^nx^{2n}}{(2n)!}$$ | ou | $$\cosh x = \sum_{n=0}^{+\infty} \frac{x^{2n}}{(2n)!}$$ | |
Temos o mesmo pormenor, camuflado, quando $x=0$.
Portanto: $0^0$ não é $1$.
Para simplificação de escrita em somatórios, dá jeito convencionar que naquelas fórmulas, $0^0$ representa o número $1$.