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28/09/2017

As séries de Maclaurin das secantes trigonométrica e hiperbólica
Introdução aos números de Euler

Eu vou começar pela secante trigonométrica.
Sabe-se que sec(x)=1cos(x) como a função cosseno é par, então a função secante é par.
(Caro leitor, se isto não é óbvio, recomendo-lhe que vá ler outra coisa)
Notação:     f(N)(a) designa a derivada de ordem N de f no ponto a.
Se f é uma função par, então f(2n+1)(0)=0, nN0

Isto significa que a expansão em série de MacLaurin da secante será da forma f(x)=n=0f(2n)(0)x2n(2n)! Seja an=f(2n)(0) onde f(x)=sec(x)
Como sec(x)×cos(x)=1 (Obviamente... para os valores de x para os quais cos(x)0 )
Então (n=0anx2n(2n)!)(n=0(1)nx2n(2n)!)=1 Pela fórmula da série produto de Cauchy temos que (n=0anx2n(2n)!)(n=0(1)nx2n(2n)!)=n=0(nl=0al(1)nl(2l)!(2n2l)!)x2n=n=0(1(2n)!nl=0al(2n)!(1)nl(2l)!(2n2l)!)x2n=n=0(1(2n)!nl=0[2nC2lal(1)nl])x2n Portanto n=0(1(2n)!nl=0[2nC2lal(1)nl])x2n=1 Como a0=sec(0)=1 n=1(1(2n)!nl=0[2nC2lal(1)nl])x2n=0 então, para cada nN1 nl=0[2nC2lal(1)nl]=0 an=n1l=0[2nC2lal(1)nl+1] Fórmula de recorrência que torna mais fácil a dedução dos coeficientes...até sem calculadora!
a1=2C0a0(1)10+1=a0=1a2=4C0a0(1)20+1+4C2a1(1)21+1=a0+6a1=5a3=6C0a0(1)30+1+6C2a1(1)31+1+6C4a2(1)32+1=a015a1+15a2=115+75=61a4=1385a5=50521a6=2702765 Como ch(x)=ex+ex2=ei(i)x+eiix2=cos(ix) então sech(x)=sec(ix)=n=0an(ix)2n(2n)!=n=0(1)nanx2n(2n)!

Os números de Euler

Os números de Euler são uma sucessão (En) de números inteiros definida pela série de Maclaurin da secante hiperbólica: sechx=n=0Enn!xn Então, tendo em conta o que foi feito até agora neste texto:
  • Se n é impar então En=0
  • Se n é par então En=(1)n/2an/2
Uma forma mais simpática de escrever isto será:
  • E2n+1=0
  • E2n=(1)nan=n1l=0[2nC2lal(1)1l]=n1l=0[2nC2lE2l]
nN0

23/09/2017

As primitivas da secante hiperbólica

Exercício:
Determine uma expressão para sechxdx

De uma substituição às primitivas da secante

Da substituição t=tg(x2) até uma primitiva imediata
Calculemos a primitiva da função secante, recorrendo à substituição t=tg(x2) Recorde-se que cosx=1t21+t2 e senx=2t1+t2 (Se desconhecem as fórmulas podem consultar este documento que está na secção de material: A substituição t=tg(x/2) ) secxdx=1cosxdx=1+t21t2×21+t2dt=21t2dt=1t1dt+1t+1dt=ln|t1|+ln|t+1|+C=ln|t+1t1|+C=ln|tg(x2)+1tg(x2)1|+C Agora procurarei outra forma para esta expressão, por forma a que as funções trigonométricas venham em função de x e não de x2. ln|tg(x2)+1tg(x2)1|+C=ln|sen(x2)cos(x2)+1sen(x2)cos(x2)1|+C=ln|sen(x2)+cos(x2)sen(x2)cos(x2)|+C=ln|(sen(x2)+cos(x2))2sen2(x2)cos2(x2)|+C=ln|1+2sen(x2)cos(x2)cos(x)|+C=ln|1+senxcosx|+C=ln|secx+tgx|+C A primitiva imediata
Observando o resultado anterior, sendo a primitiva um logaritmo, percebe-se que tem de dar para escrever aquela secante como um quociente "óbvio".
Recordando as regras de derivação da secante e da tangente, com "olhos de ver" notamos que para primitivar secx basta multiplicar e dividir a expressão por secx+tgx secxdx=secx×secx+tgxsecx+tgxdx=sec2x+secxtgxsecx+tgxdx=ln|secx+tgx|+C e então, graças à regra de derivação da função composta: usecudx=ln|secu+tgu|+C Regra que pode ser utilizada para primitivar por exemplo... a cosecante :)

Exercício: a partir desta regra, e sabendo que cosecx=sec(π2x) calcule a primitiva da cosecante.

Exercício: E qual é a primitiva da secante hiperbólica?
Resoluções aqui: http://zonaexacta.blogspot.com/2017/09/a-primitiva-da-secante-hiperbolica.html
Nota: Por abuso de linguagem costumamos dizer "a primitiva" de uma função. No entanto como existe uma primitiva para cada constante C, na verdade a designação correcta é "as primitivas" de uma função, ou, "a família de primitivas de...", e só por isso deixei o título no plural. Se calhar, até seria boa política escrever CR em cada linha. No entanto aprendi que o excesso de rigor não é didáctico, e torna as coisas visualmente "pesadas", por isso, no resto do blog, salvo um ou outro caso, manterei abusos de linguagem.
PS

15/09/2017

Recorrência secreta...


Problema
Considere a sucessão (an) de números reais definida por:
a0=1 e an+1=7an+45a2n362,nN0 Mostre que (an) é uma sucessão de números inteiros positivos e que anan+11 é, para cada nN0, um quadrado perfeito.






Problema original em http://www.uc.pt/fctuc/dmat/delfos/problemas ( Projecto Delfos ) - Teste de selecção 5, questão 4 de 2014.

Algumas observações sobre 'a' sucessão de Fibonacci

A sucessão de Fibonacci é definida pela fórmula de recorrência Fn+2=Fn+1+Fn e por duas condições iniciais, que, cuidado, nem sempre são as mesmas.
A expressão geral para a recorrência é Fn=C1(1+52)n+C2(152)n
Os valores de C1 e C2 dependem dos valores das condições iniciais.
Note-se que 1+52=Φ é o número de ouro, que também nos permite escrever a fórmula de outras formas
Condições iniciaisAlgumas fórmulas explícitasEm função de Φ n
F0=1F1=1 Fn=(5+510)(1+52)n+(5510)(152)nFn=(55)[(1+52)n+1(152)n+1] Fn=Φn+1+(1)nΦn15 Fn=55(Φn+1+(1)nΦn+1) N0
F0=0F1=1 Fn=(55)(1+52)n(55)(152)nFn=(55)[(1+52)n(152)n] Fn=Φn+(1)n1Φn5 Fn=55(Φn+(1)n1Φn) N0
F1=1F2=1 Fn=(55)(1+52)n(55)(152)nFn=(55)[(1+52)n(152)n] Fn=Φn+(1)n1Φn5 Fn=55(Φn+(1)n1Φn) N1
F1=0F2=1 Fn=(5510)(1+52)n+(5+510)(152)n Fn=Φn1+(1)nΦn+15 Fn=55(Φn1+(1)nΦn1) N1
Por vezes até generalizam-se os números de Fibonacci a argumentos negativos, recorrendo a estas fórmulas ou à fórmula de recorrência.
Existindo várias fórmulas associadas a números de Fibonacci, é sempre conveniente saber a que versão da sucessão essas fórmulas estão associadas, por forma a evitar erros nos resultados.
Nota
Esta página poderá ser actualizada no futuro.

07/09/2017

Contando divisíveis por 11

Problema
Considere todos os números naturais com quinze algarismos que são constituídos apenas por 3 e/ou 8 (por exemplo 333333338888888 ou 333333333333333)
Quantos destes números são divisíveis por 11?


Critério de divisibilidade por 11

Teorema
Um número é divisível por 11 se o módulo da diferença entre a soma dos algarismos de ordem ímpar e a soma dos algarismos de ordem par for divisível por 11.


Notas :
  • Na verdade o módulo do teorema é dispensável!
  • Considera-se 0 divisível por 11 ... e por qualquer número diferente de 0

05/09/2017

Integração por substituição: seno hiperbólico(II)
Integração por substituição: tangente(I)

Exercício Calcular o integral 311x21+x2dx Recorrendo à substituição: x=tgt ou x=sht
(Nota: sh é uma notação para seno hiperbólico ... também se representa por sinh )


04/09/2017

Outra 'dedução' da fórmula da exponencial complexa...

Seja i a unidade imaginária, e considere-se a função de variável real f(x)=eix(cosx+isenx) Então f(x)=ieix(cosx+isenx)+eix(senx+icosx)=eix[i(cosx+isenx)+(senx+icosx)]=eix(icosx+senxsenx+icosx)=eix×0=0 Como f(x)=0 então f(x)=constante.
Mas uma vez que f(0)=e0(cos0+isen0)=1×1=1, ficámos a saber que constante=1, logo eix(cosx+isenx)=1(cosx+isenx)=eix Portanto eix=cosx+isenx


Nota: A 'dedução'/motivação está fora do âmbito do actual programa do ensino secundário em Portugal!
Observação Como qualquer 'dedução' da fórmula da exponencial complexa, esta tem os seus problemas.
  • Derivar funções com variáveis complexas, bem... vamos ter de assumir que a exponencial de variável complexa, da qual nada sabemos uma vez que estamos a tentar deduzir a expressão, deriva-se como a exponencial real.
  • Utilizar a conclusão derivada=0, implica f constante requer algum cuidado!
    Antes da 'dedução' não sabemos sequer qual é o conjunto de chegada da função! Nestas condições teremos legitimidade para usar um corolário do teorema de Lagrange... para intervalos fechados?
  • ...
Enfim, é a vida...

03/09/2017

Integração por substituição: seno hiperbólico (I)

Exercício
Determinar o valor exacto do integral: 111+x2dx Exprimir o valor na forma m+argsinh(n), com m,nN


02/08/2017

Sistema não linear (II)

{x+1y=1y+1z=2z+1x=3 Determinar o valor de xyz.

PS: Uma vez que esta primeira resolução não tem nada de especial, assim que me fôr possível penso noutra e partilho

28/07/2017

Da equação dos osciladores harmónicos à exponencial complexa (Versão II)

Esta dedução é uma modificação da anterior numa tentativa de a simplificar e a tornar mais acessível ao máximo de pessoas.
Sejam A>0, ω>0 e φ[0,2π[. Um oscilador harmónico é um sistema constituído por um ponto que se desloca numa recta numérica em determinado intervalo de tempo I, de tal forma que a respectiva abcissa é dada por uma lei da forma x(t)=Acos(ωt+φ) para cada tI
Derivando em ordem a t, temos ˙x=Aωsen(ωt+φ) e consequentemente ¨x=Aω2cos(ωt+φ)=ω2x Portanto, x(t)=Acos(ωt+φ) é uma solução da equação diferencial ¨x=ω2x Na verdade, x(t)=Acos(ωt+ϕ) com A>0 e ϕ[0,2π[ arbitrários, é uma expressão geral para todas as soluções da equação ¨x=ω2x
Considere-se agora a função x(t)=eat, com aR{0}
Derivando em ordem a t , temos ˙x=aeat e consequentemente ¨x=a2eat=a2x Portanto, x(t)=eat é uma solução da equação diferencial ¨x=a2x Compare-se agora as equações ¨x=ω2x e ¨x=a2x E observe-se que estas equações são a mesma se tivermos em conta que a=iω onde i é a unidade imaginária, (portanto i2=1).
Assim sendo, devem existir um A e um ϕ que tornam verdadeira a igualdade eiωt=Acos(ωt+ϕ) para todo o tR.
Em particular, se t=0 temos 1=Acos(ϕ) Por outro lado, se substituirmos t por (t) em (1) temos eiωt=Acos(ωt+ϕ) para todo o tR.
Somando termo a termo as equações (1) e (3), e obtemos eiωt+eiωt=A(cos(ωt+ϕ)+cos(ωt+ϕ)) No meu tempo, no secundário, dava-se a fórmula cos(α)+cos(β)=2cos(α+β2)cos(αβ2)
Utilizando esta fórmula, em (4) obtemos eiωt+eiωt=2A(cos(ϕ)cos(ωt)) mas atendendo a (2) eiωt+eiωt=2cos(ωt) que é equivalente a eiωt+eiωt2=cos(ωt) Derivando agora cada membro da equação em ordem a t temos iω×eiωteiωt2=ωsen(ωt) que é equivalente a eiωteiωt2=isen(ωt) Somando termo a termo as equações (7) e (8) obtemos eiωt=cos(ωt)+isen(ωt) Finalmente, fazendo θ=ωt obtemos
eiθ=cosθ+isenθ

Da equação dos osciladores harmónicos à exponencial complexa (Versão I)

No blog CarlosPaulices no século XXI mostrei como cheguei à exponencial complexa a partir de uma equação diferencial de primeira ordem.
Agora, que o (novo) programa de Matemática A 12º (ensino secundário, Portugal), inclui osciladores harmónicos, sugiro outra forma de o fazer.
Actualização: Existe uma versão diferente desta dedução aqui, neste mesmo blog
Sejam A>0, ω>0 e φ[0,2π[. Um oscilador harmónico é um sistema constituído por um ponto que se desloca numa recta numérica em determinado intervalo de tempo I, de tal forma que a respectiva abcissa é dada por uma função da forma x(t)=Acos(ωt+φ) para cada tI
Derivando em ordem a t (neste blog utilizarei ˙x para designar a derivada de x em ordem a t), temos ˙x=Aωsen(ωt+φ) e consequentemente ¨x=Aω2cos(ωt+φ)=ω2x Portanto, x(t)=Acos(ωt+φ) é uma solução da equação diferencial ¨x=ω2x Na verdade, x(t)=Acos(ωt+ϕ) com A>0 e ϕ[0,2π[ arbitrários, é uma expressão geral para todas as soluções da equação ¨x=ω2x
Considere-se agora a função x(t)=eat, com aR{0} Derivando em ordem a t , temos ˙x=aeat e consequentemente ¨x=a2eat Portanto, x(t)=eat é uma solução da equação diferencial ¨x=a2x Facilmente se reconhece que x(t)=eat também é solução da equação, e ainda que qualquer combinação linear destas duas soluções também é solução.
Na verdade, a solução geral desta equação é x(t)=αeat+βeat
Compare-se agora as equações ¨x=ω2x e ¨x=a2x Observe-se que estas equações são a mesma se tivermos em conta que a=iω onde i é a unidade imaginária, (portanto i2=1).
Se admitirmos a validade da segunda solução geral, para valores de a imaginários puros , então temos que αeiωt+βeiωt=Acos(ωt+ϕ) para todo o tR.
Derivando ambos os termos da igualdade temos iω(αeiωtβeiωt)=ωAsen(ωt+ϕ) Tomando t=0 nas equações (1) e (2), e obtemos {α+β=Acosϕαβ=iAsenϕ Que se resolve facilmente em ordem a α e β , obtendo {α=A2(cosϕ+isenϕ)β=A2(cosϕisenϕ) Substituindo em (1) obtemos A2(cosϕ+isenϕ)eiωt+A2(cosϕisenϕ)eiωt=Acos(ωt+ϕ) (cosϕ+isenϕ)2eiωt+(cosϕisenϕ)2eiωt=cos(ωt+ϕ) Nesta equação, podemos tomar ϕ=0 e obtemos eiωt+eiωt2=cos(ωt) Derivando cada membro da equação em ordem a t temos iω×eiωteiωt2=ωsen(ωt) que é equivalente a eiωteiωt2=isen(ωt) Somando termo a termo as equações (4) e (5) obtemos eiωt=cos(ωt)+isen(ωt) Finalmente, fazendo θ=ωt obtemos
eiθ=cosθ+isenθ

10/07/2017

Sistema não linear (I)
Um sistema com somas de potências de desconhecidos

Problema: Se a+b+c=2a2+b2+c2=6a3+b3+c3=8 então a4+b4+c4=?
(Nota do autor do blog: há várias resoluções possíveis para isto... como tal, peço uma que explicite todos os possíveis valores para a, b e c, e só pelo gozo... não resolva o sistema por substituição!)

O problema original foi-me sugerido por Barbara Fernandes via facebook e inicialmente foi proposto no grupo do facebook Math: An Integral Part of Happiness, caso contrário, eu não tocaria nele.

05/07/2017

Um inteiro às fatias


Problema: Seja an=21n2+n4+14, n=1,2,... .
Mostre que a1+a2+...+a119 é um inteiro.

Problema proposto por Américo Tavares no facebook, no dia 4 de Julho de 2017.

12/04/2017

Uma recta giratória (superfície regrada)


Problema: Identificar o conjunto de todos os pontos que se obtêm rodando a recta z=mx+b com m0 contida no plano y=R em torno do eixo Oz, para ângulos θ[0;2π[.

27/03/2017

Um integral engraçado.

Já vi outras resoluções para isto. Vou apresentar a minha.
Problema: \int_{0}^{\pi} \sin x \ln {\cot \left( \frac{x}{2} \right)} dx
Possível resolução:
Vou começar por reescrever o integral na forma \int_{0}^{\pi} \sin x \ln \sqrt{ \frac{1+\cos (x)}{1-\cos(x)} } dx Depois faço a substituição t=x+\frac{\pi}{2} obtendo \int_{-\frac{\pi}{2}}^{\frac{\pi}{2}} \cos t \ln \sqrt{ \frac{1+\sin (t)}{1-\sin (t)} } dt. Como a função integranda é ímpar, então, no intervalo \left]-\frac{\pi}{2};\frac{\pi}{2}\right[ o integral vale zero.


PS:
Apresento abaixo o integral inicial, calculado numericamente numa CASIO CG20 (utilizando apenas a funções da calculadora, sem recorrer a programação...)

14/03/2017

O resto de uma divisão...

Hoje vou apresentar uma resolução feita num intervalo, esboçada num recibo de café...com mais algum detalhe que o recibo.

Problema: Qual é o resto da divisão de \underbrace {2323 ... 232323}_{\text{$4018$ dígitos}}   por 999?